Diz minha terapeuta pra eu enterrar o passado, as coisas ruins do passado. Mas acordar de madrugada com dor no braço me fez adiantar a agenda e quando comecei a listinha de afazeres para a ceia do Natal, foi impossível não desenterrar algumas coisas...
Indo na contramão de muitas mensagens positivas, me lembrei de coisas não tão boas.
Me lembrei de uma historinha de fim de ano em que eu levava meus filhos pra passar a virada do ano com o pai deles. No meio do caminho pedi pra eles ligarem dizendo que já estávamos chegando – não porque estávamos atrasados, mas mais pra já entrar no clima de festa! Qual foi a surpresa ao ver a carinha de meu filho mais velho dizendo que ele já estava saindo pra praia...falei pra ele repetir ao celular: “que ótimo, já, já estaremos aí”...e ele continuou com os olhos arregalados: “não, mãe, ele já está saindo, agora...”. Parei o carro e peguei o telefone, sem entender o que estava acontecendo...e ouvi, daquela pessoa que um dia eu amei e com quem tive três filhos, que ele precisava de descanso e que tinha resolvido passar a virada do ano com os amigos na praia, sem filhos. Pensei que ele estava brincando, mas era verdade. Tentei falar num tom mais normal possível de voz, pois os três pareciam parar de respirar dentro do carro...e foi repetido novamente “estou saindo já”.
Na hora uma onda de raiva tomou conta de mim, mas só fiquei imaginando que novamente meu anjo da guarda havia me mandado ligar antes de chegar à casa dele, pois imagina o desespero de todos nós ao chegar e não ter ninguém...imagina a sensação de culpa, do que tínhamos feito – principalmente das crianças – para o pai ter fugido deles!
Liguei o carro em silêncio e por uns instantes continuei o mesmo trajeto, até que virei bruscamente o carro pra uma direção oposta, mais por instinto do que raciocínio e me lembro dos meninos me perguntarem onde estávamos indo e eu respondendo: “pro supermercado, oras, comprar nossa ceia de réveillon”. Só escutei um “ueba” e parece que a nuvem preta que estava em cima de nosso carro foi embora...
Me lembro que compramos algumas guloseimas, depois escondido liguei pra uma amiga pra passar conosco, pois ela ficaria de plantão no jornal e sem o filho... e não nos lembramos mais desse ocorrido.
Por que alguns tem umbigo tão grande? E na velhice reclamam de abandono...e a memória fica curta se questionando o que fizeram nos últimos meses, depois de um rompante de arrependimento...como se o ontem fosse literalmente ontem! Oras pinóias...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
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1 comentários:
a gente enterra o passado, mas às vezes passa no túmulo pra dar uma olhada e verificar se está bem enterrado! hehe
Muitas saudades de você, beijos!
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